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quinta-feira, 19 de abril de 2012

REPÓRTER POR EXCELÊNCIA
Sexta-feira, dia 5 de março de 2004. Já tínhamos falado antes por telefone. Mas foi a primeira vez que estive frente a frente com o grande repórter Roberto Cabrini, um mito do jornalismo investigativo. Ele descobriu os esconderijos de PC Farias, Jorgina de Freitas, fez a última entrevista de Elma Farias, a mulher de PC, e trabalhou numa série de outras reportagens polêmicas que lhe renderam alguns títulos, muita fama, mas também muitas contrariedades e perseguições. Roberto Cabrini chegou à TV Meio Norte minutos antes de entrar no ar no programa Jornal da Tarde, que eu apresentava desde janeiro de 2002. “Fala, garoto”, ele disse, animado com a perspectiva de, mais uma vez, falar aos piauienses, ele que, dois anos antes, abalara as estruturas do Judiciário ao produzir matérias com denúncias envolvendo prefeitos e desembargadores. “Você já viu aquele filme Talk Rádio — Verdades que Matam?”, perguntei. “Não, ainda não tive a oportunidade. Do que trata?”, questionou. Falei: “É a história de uma radialista que trabalha de madrugada numa estação. Ele conversa com notívagos, paranóicos, delirantes, elementos de todas as estirpes que passam as madrugadas solitários e em busca de companhia ou de algo para externar suas frustrações. É um filme legal, se considermos que um jornalista muitas vezes é vítima da própria verdade que acredita e representa.” Ele me garantiu que iria assistir ao filme. O cinegrafista avisou que estávamos retornando dos comerciais. No ar: “Hora certa... (anunciante)... Estou recebendo aqui no estúdio a presença de um dos mais conceituados jornalistas brasileiros, Roberto Cabrini, da Rede Bandeirantes de Televisão e que veio ao Piauí para uma série de palestras em Picos e Teresina...” Na entrevista a seguir, concedida no dia 2/9/2003, Cabrini fala sobre a responsabilidade do jornalista, a imparcialidade da notícia e os dissabores que enfrentou no Piauí ao denunciar, com base em entrevistas e depoimentos,m um suposto esquema de venda de liminares no Tribunal de Justiça, através do qual desembargadores mantinham prefeitos (irregularmente) no poder: Toni Rodrigues — Um jornalista tem muitas responsabilidades. Carrega sempre um fardo emocional muito grande. Como é conviver com essa responsabilidade advinda de tantos anos de carreira? Roberto Cabrini — Em primeiro lugar temos que controlar esse fardo ao qual você se referiu. Jamais fazer matérias motivadas por questões pessoais e sim visando sempre o bem comum, visando sempre aquilo que o cidadão precisa receber em termos de informação. As pessoas no Brasil estão cada vez mais ávidas por informação. Nós temos uma responsabilidade social enorme nesse País. No processo de democratização do Brasil, o papel do jornalista é vital. Todos os dias a gente tem que acordar com essa responsabilidade e sabendo que nós somos veículos de transformação, para instituições mais transparentes, que realmente representem a sociedade. TR — É possível, dentro de um universo tão amplo como este em que você trabalha, relacionar algumas matérias que tenham marcado a sua carreira? RC — Olha, eu costumo pensar e sou condicionado a pensar que a minha grande matéria vai ser sempre a próxima, porque se você não pensar dessa forma pode menosprezar algo que está diante dos teus olhos. E você tem que ter essa sede, essa inquietação, essa vontade de fazer a grande matéria. Eu sou absolutamente apaixonado pelo que eu faço. Eu sou jornalista vinte e quatro horas, sempre pensando na próxima reportagem, gosto muito, me identifico muito com esse papel que a gente. O papel de dar às pessoas a possibilidade de decidir. Acho que o jornalista não pode ter a pretensão de fazer com que as pessoas pensem como ele. O jornalista é aquele que leva uma informação para as outras, para que munidas e municiadas com boas informações possam exercer a sua cidadania, o seu direito de escolha. TR — Como foi que você descobriu o esconderijo de PC Farias? RC — Foram momentos, dias, meses de muita adrenalina. Em primeiro lugar, eu descobri porque eu estava fazendo aquilo que provavelmente a Polícia não estava fazendo, que era tentar encontrar o Paulo César Farias. A primeira exigência para se achar uma pessoa é procurar. Será que a Polícia naquele momento estava procurando? Eu não tinha os recursos que a Polícia dispunha, que tem. A Polícia grampeia telefones, tem acesso a arquivos que o jornalista não pode ter. Mas eu tinha a vontade em localizar. Se alguém foge, como é que você acha alguém que foge? O ser humano não é uma ilha, ele se relaciona com outras pessoas, ele precisa da sua base de sustentação. Mais cedo ou mais tarde, quem foge comete erros e volta a procurar pessoas com as quais convivia, esquemas que no passado utilizou... então, estou dando a dica de como achei: eu fiz um mapeamento de todo mundo que se relacionava com ele e por aí eu fui conseguindo identificar estruturas que ele já tinha usado. Foi determinante, por exemplo, uma estrutura. Ele usava um sistema de transporte da Europa, em outros tempos em que não era ainda um fugitivo, de uma empresa chamada Sadal. Essa empresa sempre negava que estava atendendo ele naquele momento, mas eu notei um comportamento diferente, consegui pesquisar e saber que sempre ele alugava carros e se servia daquela empresa para tudo que ele fazia na Europa. Eu achei profundamente improvável que ele não estivesse usando aquela empresa naquele momento. E de fato estava... TR — E como foi o encontro, o que foi que ele disse para você quando lhe viu? RC — Ele disse: Roberto, você não precisava me procurar, você não precisava ficar tentando me achar. Eu teria o máximo prazer... Ele era um mestre no tráfico de influência. Ele tirava dinheiro de empresários. Os empresários davam dinheiro para ele sorrindo. Ele era muito bom de conversa. Não era uma pessoa truculenta. Era uma pessoa muito carismática. Por isso, perigoso. A gente não identificava nele uma pessoa perigosa. Ele realmente não era violento, mas ele sabia tirar dinheiro de empresários. Com certeza, isso ele sabia... TR — O Brasil ainda é um País de impunes. Como é a sua visão da impunidade, como vê as mudanças que se processaram no Brasil ao longo da sua atuação como jornalista? RC — Eu acho que falta muito para que a gente deixe de ser o País da impunidade, mas eu sinto claramente uma mudança. A maior mudança que existe, que eu senti até como repercussão das minhas matérias, foi que... não que autoridade A ou B tenha sido afastada ou punida, porque isso às vezes é secundário... a maior mudança que pode ocorrer é a conscientização das pessoas. É quando elas descobrem que elas têm direitos, que podem exigir que as instituições que existem para representá-las sejam transparentes. E eu fico impressionado quando converso com as pessoas nas ruas como essa conscientização aumentou e como está aumentando. O Brasil está mudando. Algumas pessoas se recusam a admitir que o País está mudando e serão tragadas pelo processo a longo prazo. Isso eu falo no Brasil como um todo. Porém, há indícios de mudança e da melhor forma possível na população. A população quer ser melhor representada, quer instituições que a representem e não segmentos. E que não perpetuem privilégios que ocorrem desde o tempo das capitanias hereditárias. TR — Cabrini, qual o seu nível de identificação com o Estado do Piauí? RC — Total. Eu aprendi a amar esse Estado, me sinto piauiense... é como eu falei... você toma da água do rio Poti e nunca mais esquece. O que me impressiona e o que realmente me encanta nesse Estado é a beleza interior das pessoas. As pessoas são extremamente carinhosas, o piauiense é acima de tudo muito boa, muito solidária. Passa muita coisa positiva, o simples olhar, é muito gratificante conviver com o piauiense. É um povo extremamente carinhoso e eu torço todos os dias pelo Piauí porque me sinto piauiense, porque me identifiquei com o jeito de ser do cidadão comum desse Estado. TR — Eu queria falar sobre os riscos da reportagem investigativa. Como é que a família fica nisso tudo. Você falou sobre um aspecto interessante, a segurança pública, mas ao denunciar desmandos, ao criticar figurões que impõem atos de corrupção à sociedade, o repórter termina se expondo e pode ser, como já ocorreu inúmeras vezes, a vítima desses esquemas. Como é conviver com isso? RC — Conviver com isso exige, em primeiro lugar, que você esteja totalmente comprometido com a sua profissão. Significa aceitar riscos, porque em um País em que as principais instituições ainda lutam para se tornarem mais democráticas, e em todas elas existem pessoas de bem e pessoas que querem e precisam de mais espaço para poderem fazer o seu trabalho, exercer bem o seu trabalho significa, com toda a certeza, combater determinados vícios que existem, determinadas irregularidades. E corrupção é um mal que realmente afeta a nossa auto-estima. TR — ... o Caso Tim Lopes é um exemplo? RC — O Caso Tim Lopes, eu acho o seguinte: o Tim sabia que existiam riscos e decidiu aceitá-los. Eventualmente essas coisas acontecem. Eu acho que é melhor você viver menos, mas fiel aos seus ideais, do que mais e infiel àquilo que você acredita. Que tipo de homem você vai ser negando aquilo em que você acredita? Então, existem riscos, existem... mas eu acho que, sem cometer suicídio, você precisa aceitar esses riscos. Eu acho que até ameaças também são uma indicação de que você está diante de algo importante. Eu encaro ameaça dessa forma. Já fui ameaçado muitas vezes. Já fui ameaçado no Piauí, já fui ameaçado no Afeganistão, fui ameaçado em São Paulo. Isso tudo faz parte da profissão. TR — Cabrini, o Iran Andrade é instrutor do Senac e repórter cinematográfico e pergunta o seguinte: Qual a importância do repórter cinematográfico e conte uma experiência em que a presença desse tipo de repórter foi essencial para a produção de uma matéria. RC — Contar um episódio é pouco, né?, porque o cinegrafista é absolutamente vital para o nosso trabalho. Infelizmente, nem sempre é devidamente reconhecido. Porém, em todas as grandes matérias que eu fiz, o papel do cinegrafista é muito importante. Quando eu achei o PC, por exemplo, ele não queria ser filmado, se o meu cinegrafista não fosse esperto para fazer imagens sem ele perceber, eu não teria a documentação de que eu tinha localizado ele. Quando eu fui para o Afeganistão, eu e o cinegrafista tivemos que nos arriscar muito. Agora, eu nunca peço para o meu cinegrafista fazer uma imagem que eu mesmo não esteja disposto a fazer. Lá no Afeganistão, quando o meu cinegrafista ficava extenuado, eu punha a câmera no ombro e filmava as situações de guerra, porque eu sabia que aquilo era muito arriscado. O cinegrafista competente é aquele que muitas vezes consegue fazer a própria entrevista. Uma das grandes matérias foi diante do trabalho de um cinegrafista, no caso o Fernando Cardoso. Ele conseguiu fazer uma entrevista, ele foi fazer imagem porque não tinha certeza de que realmente aquele material era importante, e ele foi lá e voltou com uma entrevista com uma revelação estupenda. Então, o repórter tem que filmar quando precisa, o cinegrafista tem que ser repórter quando precisa também. Televisão é equipe e não se faz um bom trabalho sem o entrosamento entre o cinegrafista e o repórter. Eu devo muito da minha carreira aos cinegrafistas com os quais eu trabalhei. Após a entrevista, pedi que ele respondesse algumas perguntas. TR — Eu queria apenas fazer mais duas perguntas. Primeiro, sobre o processo que envolve membro do Tribunal de Justiça do Piauí. Como é que está essa situação? RC — Na verdade, são sete processos, mas é um só, a história de um desembargador, né? O que é essa história? Um repórter entrevista prefeitos que confessam terem cometido um crime: pagaram para um desembargador, para o escritório, para conseguir medidas que os mantivessem no poder. E o jornalista, no caso eu, não dá nenhuma opinião pessoal, apenas informa. Reproduz o depoimento de autoridades e existe um processo por conta disso. Processo normal, todo mundo tem direito a entrar com uma ação, em tese. O mais surpreendente é que isso vira uma tutela antecipada, que para mim como cidadão foi algo que eu jamais vi... algo surpreendente... TR — Seria uma agressão brutal? RC — Eu me senti agredido como cidadão, porque fiz o meu trabalho. Veiculei entrevistas, todas essas entrevistas que eu veiculei, por exemplo, o caso do prefeito Adérson... inicialmente, ele foi gravado e não sabia, mas depois ele confirmou em depoimento consentido, e confirmou isso perante a Justiça. E depois um outro prefeito de uma outra cidade deu uma entrevista consentida contando a mesma coisa. Isso foi veiculado. Eu jamais acusei ninguém. Apenas fiz o meu trabalho de informar. Quando isso traz uma tutela antecipada eu me sinto agredido como cidadão, no direito mais elementar que eu tenho como jornalista, que é o de informar. Eu não julguei, eu não julgo, repórter não está aqui para julgar. Repórter informar. E o que eu fiz foi dar uma informação coerente, como qualquer veículo de informação de qualquer imprensa livre de tudo o mundo... TR — Nesse aspecto, o Piauí se tornou um caso sui gêneris para você, como jornalista? RC — Com certeza. Me marcou profundamente. Eu nunca me senti tão aviltado, tão intimidado. Foi a pior forma de pressão que eu já sofri em toda a minha carreira. E o que aconteceu... eu estou dizendo como cidadão... o que aconteceu, eu senti como atentado aos meus direitos mais básicos de cidadão, ao meu direito de informar, de exercer a minha profissão. Porque eu jamais acusei ninguém.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Pré-candidaturas. PTB, PC do B e PHS definem coligação e indicam Espedito Pacífico para prefeito e Paulo Pires para vice



Antonio Chaves disputará vaga na Câmara Municipal e será coordenador geral da campanha

Reunidos na sede do PC do B, em Altos, os líderes políticos Espedito Mendes Pacífico (PTB), Paulo Pires (PC do B) e Antonio Chaves do Nascimento (PHS) firmaram entendimento para seguir juntos nas eleições deste ano. Espedito Pacífico será candidato a prefeito, Paulo Pires como vice e Chaves na disputa por uma vaga na Câmara Municipal, atuando ainda como coordenador geral da campanha.
O entendimento foi possível a partir de uma ampla discussão em que todos os participantes do processo entenderam a necessidade de se fazer uma coligação em defesa do interesse da coletividade altoense. Houve críticas ao modelo praticado pela atual administração e que tem sido extremamente prejudicial ao desenvolvimento do município.
Espedito Pacífico disse que representa a legítima oposição em Altos porque se contrapõe ao desmonte que está sendo feito pelo governo municipal em que praticamente nada funciona e a própria estrutura urbana está prejudicada. O petebista disse que não tem aresta na comunidade altoense e falou da possibilidade de novos partidos tomarem parte na composição, a exemplo de PR, PSDC, PV, PT do B, PP, PMN e parte do PT e do PSDB.
O delegado licenciado Paulo Pires, indicado como pré-candidato a vice-prefeito, declarou que a atual administração contribui para emperrar o progresso de Altos. Ele defende um governo voltado para os menos favorecidos e atração de grandes investimentos. “Obras públicas de grande porte contribuem para geração de emprego e renda e certamente melhoram a vida da população, principalmente os mais pobres”, declarou.
Pires disse ainda que existe hoje uma necessidade muito grande de se mudar a política e a administração de Altos, concentrada há mais de 20 anos nas mãos de um único grupo e que este grupo não tem correspondido aos anseios da grande maioria da população altoense. Fizeram parte das discussões finais em torno da aliança os seguintes membros de partidos: José Claro e Chico Carlos (PC do B); Toni Rodrigues (PTB); João Neto (PSDB); Raimundo Filho e Dina Silva (PHS), além dos próprios líderes partidários.
Antonio Chaves disse que o PHS assume a campanha de corpo inteiro, garantindo mobilizações nas zonas urbana e rural, “inspirado pela necessidade de mudança urgente.” O município, segundo ele, precisa se desenvolver e este desenvolvimento só vai acontecer se as pessoas se conscientizarem da necessidade de promover alternância de poder. O grupo acertou ainda que vai formar frentes para combater possíveis abusos de poder econômico e político e transferência ilegal de eleitores. “Os órgãos competentes serão devidamente notificados para tomar providências cabíveis”, finalizou Chaves.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Novas agressões contra jornalista. Toni Rodrigues promete não se intimidar

Persistem as agressões contra minha pessoa. Mas fiquem tranquilos. Não irei me intimidar. Não irei parar com as denúncias, caso necessário. O problema é que há muitas pessoas a serviço de mais elementos na política, querendo perpetuar situações de roubalheira em plena época de mudanças.

No Brasil, no Piauí e em nosso município. Os caciques estão sendo afastados da política e alguns elementos querem aparecer como caciques. Devo dizer que nunca quis ser líder. Faço denúncias por conta da minha atuação como jornalista. A política é apenas uma consequência e um espaço que deve ser ocupado pelos éticos.

O blogueiro Gilberto Damasceno tem divulgado informações do meu blog e a grande maioria dos seus leitores se manifesta em favor da minha atuação. Apenas um, provavelmente de encomenda e usando nome, me agride de forma baixa, dizendo que uso a minha deficiência para agredir autoridades. Meu problema físico não tem nada com isso.

Nunca utilizei minha deficiência para me esconder de nada. Se fosse assim, estaria acomodado em alguma aposentadoria por invalidez. Não faz o meu estilo. Acomodar-me nunca! Lutar sempre! Por isso, mantenho minha postura e todos sabem que podem contar comigo sempre. Menos, é claro, os elementos venais, que não conhecem a ética, embora tentem exercer profissões que primem essencialmente por ela.

O direito, por exemplo, é uma profissão que deve estar aliado ao procedimento correto, à defesa da justiça e nunca, jamais, para a perseguição política, para o abuso de poder. Não me intimidarei contra esse tipo de gente. Pelo contrário. Eles são o gás necessário para que eu continue lutando pela verdade, pela justiça e pelos menos favorecidos.

Vamos nos unir em luta pelo desenvolvimento do nosso município, independente de partidos. Lutar pela construção do aeroporto em Altos. Isso é importantes. As agressões de que sou vítima neste momento cairão no esquecimento. Parte de gente menor. Grandes são aqueles que batalham pelo interesse coletivo.

LEIA MAIS SOBRE O AEROPORTO AQUI

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Paulo Ventura e a luta contra a corrupção

Paulo Ventura é presidente de um Brasil fictício. Advogado extremamente ético, ele cria um site contra corrupção chamado “Sonho Intenso” e consegue se eleger deputado. Nesta condição, assume a presidência da República quando o presidente e o vice morrem na queda de um helicóptero. No poder, consegue prender o ministro da Justiça, um deputado notoriamente corrupto e que se apropria de verbas de prefeituras pobres. Ventura, apesar do respeito ao bem público, leva uma vida privada extremamente promíscua e mantém relacionamento com várias mulheres, inclusive com a esposa de um senador. A família é disfuncional, a mulher é revoltada com suas aventuras, a mãe parece detestá-lo. O presidente apresenta um projeto de responsabilidade pública que se propõe em acabar com a corrupção no país. Sofre um atentado, como era de se esperar. Um político incomum numa nação que cada vez mais se volta para a roubalheira como se fosse algo absolutamente normal. Identifico-me com a postura de Paulo Ventura na medida em que, na condição de jornalista, tenho combatido a corrupção e os corruptos e sofrido muitas retaliações e perseguições. Muitas vezes quase penso em desistir, mas sei que isso não é possível, principalmente porque não consigo silenciar diante do absurdo em que se transformou a relação de poder no país. Os políticos enriquecem, a população fica com as migalhas e ainda se dá por muito satisfeita. E agradece com votos para os seus algozes. Os especialistas em direito internacional diriam que se trata autenticamente da síndrome de Elsinque, quando os sequestrados quedam de amores pelos seus sequestrados. Trazendo para a nossa realidade, é quando os usurpados morrem de amores pelos usurpadores. Ou ladrões do dinheiro público, como se queira chamar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Jornalista defende construção de aeroporto em Altos

O jornalista Toni Rodrigues defendeu em seu programa na Rádio Teresina FM (www.teresinafm.com.br) a construção de um aeroporto no município de Altos após anúncio do deputado federal Júlio César Lima de que teria destinado 500 milhões de reais no plano de ações do governo federal deste para a construção de um aeroporto na região da Grande Teresina.

O jornalista, que é coordenador editorial da Rádio Teresina FM e editorialista do jornal Diário do Povo, enfatizou que a obra seria de grande importância para o município porque há muitos anos que Altos não recebe qualquer investimento que seja do governo federal. No seu entender, seria uma forma de compensar o tempo perdido.
Com o aeroporto, o município resolveria grande parte dos seus problemas na área econômica, capacitando-se para a geração de emprego e renda em larga escala. “Fala-se que a obra pode ser implantada em Demerval Lobão. Temos que juntar nossas forças para garantir que ela seja construída no município de Altos”, enfatizou o jornalista, que é suplente de vereador pelo PTB e recentemente exerceu mandato parlamentar.

Durante o período em que esteve na Câmara, Rodrigues destacou em diversos pronunciamentos a necessidade de grandes investimentos para o município, a exemplo de agência bancária da Caixa Econômica Federal, mais uma vara para o Juizado de Direito, dentre outros benefícios que poderiam contribuir para melhorar as condições de vida da gente altoense.

Rodrigues disse que pretende realizar uma campanha junto aos altoenses para coletar assinaturas em defesa da construção do aeroporto no município. Ele acredita na força da mobilização popular porque em outras oportunidades teve sucesso. Lembra que no tempo em que trabalhou na Rádio São José dos Altos muitos melhoramentos foram obtidos para Altos através da reivindicação popular por meio de programa de rádio.
“Nosso programa, o Jornal da São José, era totalmente voltado para a defesa dos interesses da comunidade. Com isso, muitos benefícios foram obtidos, como por exemplo a implantação de calçamento, melhoria do atendimento hospitalar, reforço no sistema de transporte coletivo e assim por diante. Acredito no jornalismo sério como forma de mudar para melhor a realidade em que vivemos”, enfatizou.

Fonte: blog Piauí Confidencial (www.piauiconfidencial.blogspot.com)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um Repórter: trajetória e enfrentamento

Sou jornalista praticamente desde que me entendo por gente. Fui criado num lar em que as pessoas liam muito e mesmo as que não liam tanto assim costumavam me incentivar, me trazendo livros e revistas.
Na medida em que fui assimilando a consciência em torno da minha realidade, do que se passava em volta de mim, das pessoas, do tempo, dos acontecimentos, então eu colocava tudo aquilo no papel. Em pequenas crônicas da minha primeira infância e que foram crescendo comigo, me dominando por inteiro.


Na foto, entrevistando o senador Mão Santa, em Brasília
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Eu acompanhava o noticiário do rádio e da televisão e contava histórias com base naquilo que me era transmitido. Naquele tempo, começo dos anos 70, não pense que era fácil assistir televisão.
A programação começava a ser transmitida por volta de quatro da tarde. Você ligava o aparelho, dava um longo passeio, conversava, brincava e voltava bem meia hora depois e a válvula ainda não estava acesa.
Em todo caso, a tevê exerceu grande influência na minha formação. Foi por causa das reportagens sobre desigualdades sociais no Nordeste, sobre a seca, a corrupção de alguns políticos, o descompromissos de certos governantes, foi assim que eu aprendi a contestar, a fazer aquilo que é a essência da atividade jornalística – o questionamento.
Comecei em casa, fazendo notícias para mim mesmo, depois fui para o rádio, em seguida jornal e a própria tevê. Mas sempre mantive esse espírito crítico que me acompanha até hoje, de procurar entender por que o dinheiro público não rende quando todos obrigados e pagamos nossas obrigações, nossos impostos.
De procurar entender por que certas pessoas são mais pessoas que as outras, cometem crimes e não vão para a cadeia. Noventa por cento da população carcerária é de pessoas muito pobres.
Os mais ou menos representam em torno de 8%, enquanto que os ricos são apenas cerca de 2%. Ou seja, a gente pode contar nos dedos.
E não devemos nos conformar com isso. Pelo contrário. Um jornalista americano chamado Jhon Dargnthon afirma que “quando tudo o mais falha; falha o judiciário, o ministério público, as instituições de governo, o cidadão recorre à imprensa e é devidamente acolhido.”
Temos acolhido muitas denúncias. Repercutido a maioria delas. Os resultados aparecem aqui e ali. Mas ainda precisamos avançar bastante na valorização do nosso jornalismo – e isso acontece não por responsabilidade do jornalista, e sim das empresas de comunicação, que baseiam o seu faturamento, na maior parte, nas verbas do governo.
Desse modo ficam impedidas de fazer um jornalismo independente. Claro que existem as raras e honrosas exceções. São poucas. Tenho muita satisfação em fazer parte de uma delas neste momento – a RádioTeresina FM.
O livro “Um Repórter” conta muito da minha atuação profissional iniciada em 1984, como adolescente, no extinto Jornal do Piauí, passando depois pelas rádios São José dos Altos, Heróis do Jenipapo, Verdes Campos FM; jornais Folha do Nordeste, Correio do Piauí, Meio Norte; TV Meio Norte; Rádio Globo Teresina Meio Norte; e finalmente Radio Teresina FM.
Nesse meio tempo, casei com a professora Pedrina e tivemos o nosso único filho, Pedro, que decidiu seguir carreira na imprensa e está praticamente se formando em jornalismo.
A profissão me trouxe muitas conquistas. Mas também muitos dissabores. Notadamente no que trata sobre a perseguição dos poderosos.
Antes, quando era adolescente e participava modestamente (como todos por aqui) da contestação a ditadura militar em agonia, eu imaginava que essa história de perseguição contra jornalistas era uma coisa distante, que acontecia apenas com aqueles profissionais que desvendam tramas de acordos secretos entre potências nucleares ou fotografam políticos americanos em situações desconfortáveis.
Nada disso. Acontece bem aqui, perto da gente, muitas vezes com a gente mesmo, e sem que a população em geral se aperceba. E quando percebe não se importa e ainda diz que o jornalista é culpado pelo que lhe aconteceu.
Ouvi algo parecido em 2002 quando Tim Lopes foi esquertejado em vida na favela Cruzeiro pela gangue do bandido Elias Maluco. Um sujeito falou que ele foi mexer com o que não devia...
Quando publicou seu livro “Abusado, o dono do morro de Dona Marta”, sobre a vida do traficante Marcinho VP, o jornalista Caco Barcellos foi seriamente ameaçado de morte e teve que se transferir por vários anos para Londres, na Inglaterra.
Teve sorte. Alguns de nós não conta com o mesmo destino. Aqui mesmo no Piauí alguns profissionais foram processados, torturados ou mortos – tudo pelo direito de informar.
No processo judicial, busca-se a humilhação, a intimidação, fazer com que recuemos do propósito de investigar, que é próprio do jornalismo.
Neste livro “Um Repórter”, trago muita coisa sobre isso. Sobre investigação jornalística, sobre obrigação profissional que muita gente entende como destemor. Sou agradecido pela consideração.
O livro é um reunião de histórias sentidas e vivenciadas ao longo de mais de duas décadas de atividade jornalística que posso considerar e dizer como intensa. Ao extremo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lançamento de Um Repórter bastante prestigiado na Livraria Piauiense

Foi bastante prestigiado o lançamento na noite desta quarta-feira (16) do livro Um Repórter de nossa autoria. O lançamento aconteceu na Livraria Piauiense da avenida Dom Severino, zona leste da capital, e reuniu amigos e familiares do autor. Na oportunidade, o estudante de jornalismo Pedro Rodrigues, meu filho muito amado, fez o cerimonial e lembrou do início de minha atuação na imprensa ainda em 1984, por conta das Diretas Já, como estudante secundarista, publicando textos com análise crítica no extinto Jornal do Piauí. O livro Um Repórter conta sobre 22 anos de minha atividade jornalística muito intensa, principalmente porque nunca aprendi silenciar diante de qualquer injustiça que seja. Talvez por isso tenha sido muito processado e perseguido. Mas também por isso tenho muitos amigos que nunca me abandonam. Falou também por ocasião do lançamento o promotor de Justiça aposentado José Moura Gomes, enaltecendo a obra. Relembrou nossa luta incansável, nos anos 1990, ele no Ministério Público, eu na tribuna jornalística, em defesa dos direitos da criança e do adolescente e pela criação de conselhos tutelares em diversos municípios do estado. O jornalista Pires de Saboia fez considerações sobre minha biografia e destacou minha veia investigativa. Foram muitos os que se manifestaram oportunamente: Silvano Alencar, Cloves Raulino (Caroba), Augusto Basílio, professora Teresa (Uespi), dentre outros. A presença de minha irmã Maria Narciza também foi muito importante. Todos os meus familiares e amigos. Pedrina, sempre ao meu lado. Quero agradecer imensamente à Lalinne, aos funcionários de Livraria Piauiense, que foram de uma atenção grandiosa. Grato a todos.

Abaixo, algumas fotos do evento...